Dengue: Medo e Desinformação

Neste exato momento, muita gente em Goiânia se pergunta: existe uma epidemia de dengue na cidade? Que existe apreensão, ainda que abafada, sufocada, é fácil constatar. Qual a real dimensão deste problema que envolve a saúde pública? Não se sabe.
Os meios de comunicação da cidade só divulgam uma pálida sombra do que acontece. Não retratam com fidelidade esta questão. As autoridades (leia-se: governo), que deveriam cuidar do problema (já que se trata de saúde pública), o negligenciam.
E por que agem dessa forma? Matar o mosquito transmissor da doença (Aedes aegypti ou a sua larva) não rende voto. Portanto, não é atrativo para os adeptos do populismo. Opta-se por fazer asfalto. Este sim rende inauguração, festa, visibilidade. Em síntese: dá voto.
Ontem à noite conversei com dois importantes empresários da cidade. Um deles testemunhou: "quatro funcionários meus morreram vítimas da dengue". E a doença não ataca apenas pobres. Parentes do empresário estão infectados. "A dengue é uma doença democrática", observa com ironia.
Ele disse que no condomínio fechado onde mora foram constatados focos do mosquito. As larvas se desenvolvem nas piscinas. Elas encontram ambiente propício em águas paradas, limpas e não tratadas com cloro. Resumindo: a doença não escolhe classe social.
Outro empresário com quem conversei confirmou: vários empregados da sua empresa contraíram a doença. Ele comenta que o problema está por toda parte. Revela que um amigo infectado pelo mosquito perdeu oito quilos após uma semana de internação.
Romerito, jogador do Goiás Esporte Clube, contraiu a doença. Ele estava ameaçado de não viajar ao Chile, para participar do jogo válido pela Taça Libertadores da América. Isto só para ficar no exemplo de uma pessoa famosa.
Dentro dos órgãos de saúde, informalmente, os profissionais da área confirmam: a doença não está sendo divulgada em sua real dimensão. É para que a população não fique alarmada? É pouco provável. Todos temos direito à informação. Ter consciência do problema contribui para a prevenção.
O curioso nisso tudo é que, ao lado da omissão do poder público, nota-se uma certa resignação da sociedade. O assunto faz parte das rodas sociais. Mas não existe uma efetiva cobrança para a sua solução. O poder público não se sente suficientemente pressionado para agir com mais determinação.
Os jornais até que falam da doença. Só que os números reais não aparecem. Existe quase que uma pacto de silêncio. Enquanto isso, a chamada "doença democrática" avança fazendo vítimas. E o que é pior: ceifando vidas.

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