quarta-feira, maio 04, 2011

Viagem ao Reino da Memória

O que é a memória?  Para que existe? Por que lembramos? Por que esquecemos? São muitas, é certo, as perguntas que  envolvem  este tema. O escritor Paul Auster, no livro “O Inventor da Solidão”, oferece uma resposta. Ele  define a memória como “o espaço em que uma coisa acontece pela segunda vez”.

Encontrei uma conceituação, no mínimo, curiosa, no Mini Dicionário Sacconi: “Faculdade de conservar e experimentar de novo estados de consciência passados”. E fico a perguntar: Será que a invenção da escrita foi a maneira engenhosa que nós, humanos, encontramos para eternizar “estados de consciência passados”?

Para o escritor argentino Jorge Luís Borges, citado pelo italiano Domenico Di Masi, todos os romances e poemas escritos ao longo dos tempos repetiram, em versões infinitas, tão somente quatros histórias: a de uma cidade sitiada, a de uma viagem, a de uma busca, a do sacritfício de um deus.

No monumental “Em Busca do Tempo Perdido”, o escritor Marcel Proust faz uma fantástica escavação da memória. Recompõe  fatos , revive sensações e  sentimentos. Proust é um escafandrista. Mergulha em águas abissais para recolher a essência do tempo. Por fim, descobre que o que se perdeu pode ser reconquistado pela memória.

Umberto Eco no romance “A Misteriosa Chama da Rainha Leona” faz uma ambiciosa incursão ao passado. O protagonista Yambo perde parte da memória –afetiva e biográfica. Para recuperá-la, lança-se na leitura febril de jornais, revistas, gibis e livros que marcaram a sua infância e juventude. Eco/Yambo nos conduz, pelo fio da lembrança, a um vasto painel dos anos 30 e 40 do século passado. Farejando o passado, o autor edifica o seu “palácio da memória”,  percorrendo labirintos insondáveis.

Palavra e memória (somadas a muita imaginação) são habilmente manipuladas nas  aventuras narradas por Xerazade em “As Mil e Uma Noites”. Ela se utiliza desses recuros para seduzir o rei Xeriar. Este,  traído por sua mulher, decide matar diariamente cada nova esposa, após uma noite de prazer. Para interromper este círculo de terror, Xerazade casa-se com o rei. Depois da sessão de amor, desfia histórias encadeadas. “Isto não é nada, comparado ao que contarei amanhã à noite”, diz ela. Por fim, Xerazade é poupada.

Voltando a Paul Auster. Na sua obra citada (O Inventor da Solidão), o autor faz uma imersão pelos labirintos da memória para meditar sobre a morte do pai. A reflexão que empreende busca o significado para a existência. É quando ele confronta a “Solidão” com a “Memória”, numa jornada poética que rompe a fronteira entre ficção e realidade. Encerra o livro com um alerta: “Foi. Nunca mais será. Lembre-se”.

Não seria demais supor que somos prisioneiros do tempo e da memória. Mais que isso: prisioneiros do passado; de memórias passadas. Estamos conectados aos nossos antepassados, que nos legaram a sua cultura, saberes e conhecimentos. Assim sendo, a escrita é o veículo que melhor  traduz essa perenização.

“Penetra surdamente no reino das palavras” – convida o poeta Carlos Drummond de Andrade, acrescentando:"Lá estão os poemas que esperam ser escritos”. Parafraseando o imortal mineiro, poderíamos dizer: “Penetra no reino da memória. Lá estão os fatos e  mistérios que merecem ser revividos”. 

quarta-feira, maio 24, 2006

Digo Não: 25 Anos Depois



"Há um quarto de século, a comunidade acadêmica da Comunicação mobilizou-se em todo o território nacional para evitar que os cursos superiores da área fossem transformados em carreiras de curta duração, restritas a pós-graduados. Na verdade, o alvo principal era o curso de jornalismo, nunca assimilado pelos adversários do diploma, que continuam de prontidão, como se viu no recente episódio protagonizado pela juíza Carla Rister.

Estávamos nos estertores do Regime Militar, quando os bolsões resistentes à transição ´lenta, gradual e segura´para a democracia tentatam golpes de força, cujo êxito dependia das reações da sociedade civil. Naquela ocasião, instituições como a Sociedade Brasileira para os Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom) e a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) assumiram a vanguarda do Movimento em Defesa dos Cursos de Comunicação - Endecom -abortando o processo em tramitação no antigo Conselho Federal de Educação (CFE)".

A citação acima faz parte do artigo do professor José Marques de Melo, publicado na revista Imprensa, No. 210, de março de 2006. O movimento sobre o qual se refere o professor teve ressonância na Universidade Federal de Goiás (UFG), onde os estudantes de comunicação realizaram um protesto com mordaça no pátio do antigo ICHL. A manifestação foi liderada pelo Centro Acadêmico de Jornalismo. A foto acima retrata a concentração de estudantes, que teve repercussão nacional, pois foi noticiada pelo jornal "O Estado de São Paulo". Ficou um registro para a posteridade.

terça-feira, abril 25, 2006

A Festa da Memória



Sei que não é o caso de romantizar épocas, lugares e, muito menos, pessoas. Sei que a memória de tempos idos muitas vezes nos trai. Mas sei, também, que ela possui os seus próprios escaninhos. Fixa-se (devidamente guardado) o essencial, o fascinante e, claro, o trágico. Somos o amálgama de todos esses tecidos.

No laboratório da vida, fecudam-se histórias entrecruzadas. Passeiam por remansos, rios e córregos. Terminam por desaguar em oceanos de noites e dias, de alegrias e tristezas. Assim, fabrica-se matéria-prima para as crônicas do cotidiano. Vê-se, através delas, o universo pelo buraco da fechadura.

As histórias saltam da memória. Passeiam por terras distantes, culturas distintas, gentes diversas. No balanço dos anos, das décadas, ressurge um tempo compartido, experiências somadas. Sente-se ainda fresca nas retinas as tochas das utopias coletivas.

Essas observações (ou seriam divagações?) surgem a propósito de uma época - específica. Melhor ainda: de uma turma com pouco mais de 40 jovens que o destino uniu no ano de 1979. Éramos calouros, na vida e no curso de jornalismo da Universidade Federal de Goiás.

Vivíamos um caldeirão político e cultural. Mas não havia liberdades políticas. Época dos chamados "anos de chumbo". Os presos políticos começavam a ser soltos, os exilados a retornar. A UNE estava sendo reconstruída. As greves operárias pipocavam pelo país. O "entulho autoritário", com destaque para o AI-5, ainda não tinha sido revogado.

Foi nesse ambiente que entramos na universidade. Aquele bando de jovens identificava-se com ideais nobres: com a coletividade, com a justiça social, com a democracia. Alguns de nós logo se definiu por uma clara posição de esquerda.

Predominava um acirrado debate político, tanto em sala de aula como nos corredores das faculdades. Éramos compelidos a abraçar uma posição, um partido. Afinal, ser chamado de "alienado" nos soava como um palavrão.

O idealismo a que me refiro não era interesseiro. Antes, era um sentimento próprio da juventude, que anseia por mudanças, que deseja romper estruturas arcaicas, que necessita fazer com que sua voz seja ouvida. Resumindo: é um sentimento de auto-afirmação.

Revolver essas questões é como fazer uma viagem ao tempo. Voltar às escadarias do ICHL (atual Facomb), passear pelas salas de aula, pelos laboratórios (de Rádio e TV e fotografia), pela Rádio Universitária e pelos auditórios, onde aconteciam acalorados debates.

Vivenciamos, é certo, um rico período da história de Goiás e do Brasil. Estávamos deixando para trás o autoritarismo. Sopravam em nossas faces juvenis os ventos benfazejos da democracia. Mas havia um longo caminho a trilhar. A democracia deveria se firmar. E nós, tínhamos que cumprir todo o ritual acadêmico, receber o diploma para ingressar no mercado de trabalho.

À época, o mesmo dilema de hoje: haveria emprego para tantos novos profissionais? Logo sentimos o primeiro baque. Em 1983, o Diário da Manhã fechou. Dezenas de jornalistas desempregados. Isso provocou uma "diáspora" na categoria.

Essa crise fez com que muitos deixassem Goiás. Jovens formados partiram em busca de novos mercados. Uma parte expressiva mudou-se para Brasília. Alguns para cidades como Cuiabá, Fortaleza e, posteriormente, Palmas. Mas houve quem buscasse outros países: Holanda e EUA.

Os que ficaram em Goiânia ocupam espaço nos veículos de comunicação da cidade. Alguns abraçaram outras áreas: são professores, políticos, empresários, entre outras profissões.

Essa turma de 79 tinha características marcantes. Isso chamava atenção. Havia, claramente, um aguçado espírito de união, de companheirismo, de grupo, difícil de se encontrar, mesmo naquela época. E isso sobreviveu ao passar do tempo.

Quando se encontram, prevalece nessas pessoas forte sentimento de amizade. Muitos da turma, mesmo morando em cidades distantes, mantêm correspondência, se falam com frequência. Os laços não se romperam.

Prova disso foi um acontecimento recente. No dia 9 de abril 14 integrantes da turma reuniram-se, durante confraternização, em Brasília. Foi quando surgiu a idéia de se promover outro encontro, se possível maior, desta feita em Goiânia.

Será, sem dúvida, um momento especial para rever amigos e amigas. Sobretudo, será uma ocasião para brindar o prazer da vida. E, também, para festejar o tempo presente. Nada impede que façamos uma "Festa da Memória".

Basta apenas seguir o que disse o jornalista e escritor Eduardo Galeano: "A memória guardará o que vale a pena. A memória sabe de mim mais do que eu; e ela não perde o que merece ser salvo". Acho que nos salvamos.

domingo, março 26, 2006

A Dança da Pizza


Este foi o título do artigo do professor e doutor em comunicação Carlos Chaparro. O texto foi publicado no portal Comunique-se (24/03/06). O autor comenta a atitude sarcástica da deputada federal Ângela Guadagnin (PT-SP), no episódio de absolvição de mensaleiros no Congresso Nacional.

No artigo, Chaparro falou pela nação. Ele não apenas escreveu um texto brilhante, refletiu com sagacidade o sentimento dos eleitores brasileiros que assistem perplexos o escárnio a que o congresso brasileiro está impingindo ao nosso povo, absolvendo parlamentares confessadamente envolvidos no escândalo do mensalão.

Os volteios da rechonchuda parlamentar no plenário do Congresso Nacional guardam um grande simbolismo. A dança não tem nada de inocente. Também não foi cômica. Antes, soou provocativa. Não foi romântica. Antes, a nobre deputada agiu como porta-bandeira no enredo da pizza.

O menoscabo da deputada só não foi maior do que o indigesto prato que o Congresso Nacional nos serviu. Mas os eleitores brasileiros não vão degluti-lo com tanta facilidade. Afinal, no molho da pizza adicionaram ingredientes como "falta de respeito", "falta de ética", "conchavos", "falta de caráter", "assalto aos cofres públicos", entre outros.

Guardagnin (e seus asseclas) que nos aguardem. As eleições estão próximas. O troco virá no seu devido tempo. Hoje, eles são os pizzaiolos e dançam no "show dos mensaleiros". Os eleitores vão promover uma dança diferente, a dança das cadeiras expulsando-os do salão (Congresso Nacional). Que a eles seja dado apenas o direito de dançar a "valsa do adeus".

sábado, março 18, 2006

Somos Poeira do Tempo



"O tempo é a imagem em movimento
da eternidade imóvel".
Platão


Luiz Carlos Maciel, jornalista , roteirista, diretor de teatro, professor e escritor, é um craque do vernáculo. Definido como guru da contracultura, Maciel foi colaborador do Pasquim e um dos fundadores da edição brasileira da Revista Rolling Stones. Em março de 2003, Maciel escreveu um artigo sobre o tempo, no caderno "Fim de Semana", da Gazeta Mercantil. O texto é ilustrativo do seu talento.

O artigo é um primor. Tanto do ponto de vista estilístico, quanto da precisão da linguaguem; erudito e filosófico. Induz à reflexão. Na epígrafe, cita Caetano Veloso: "Por seres tão inventivo/E pareceres contínuo/Tempo Tempo Tempo Tempo/ És um dos deuses mais lindos". Trata-se da letra da canção "Oração ao Tempo".

Ah, não citei o título do artigo. Chama-se "O Tempo Somós Nós". Este, sem dúvida, é um tema instigante. Sempre povoou o nosso imaginário, desde o início dos tempos, nos primórdios da civilização, quando o homem começou a refletir sobre a sua posição no universo.

Você deve estar se perguntando: por que citar este artigo agora? Por uma razão prosaica. Estava em casa, limpando uma gaveta, quando saltou em minhas mãos o caderno "Fim de Semana", da Gazeta Mercantil. Folheei. Cheguei ao artigo, que ocupa toda a contra-capa. Não resisti. Reli com prazer o texto de Maciel.

Foi então que tive a idéia de transcrever alguns trechos, que considero os mais significativos do artigo, como forma de homenagear o autor. Maciel nasceu no dia 15 de março de 1938, em Porto Alegre (RS) e mora, atualmente, na cidade do Rio de Janeiro.

"O objetivo fundamental da ciência ocidental, em relação ao tempo, foi - e ainda é - medi-lo com objetividade e precisão. O relógico mecânico, inventado no século XIII, obedecia a este propósito. As mudanças que trouxe foram importantes, ele modificou a própria organização da sociedade - e inaugurou uma nova civilização, atenta à passagem do tempo e, portanto, à produtividade e ao desempenho".

***

"A concepção comum do tempo o considera uma estrutura tríplice: passado, presente e futuro. Nenhum desses três momentos existe, a rigor. O passado não existe mais; o futuro ainda não existe; o próprio presente é mera passagem abstrata do passado para o presente, sua vigência se reduz ao instante inextenso. Mas se o tempo não existe, por que nos parece tão real, a ponto de falarmos, por exemplo, em ter e não ter tempo? Há um esforço por parte do pensamento humano para conferir realidade ao tempo".

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"(...) O caráter fixo do passado, sua imobilidade, são tão necessários para ancorar o fluxo do tempo, mesmo sem negar o outro mundo da eternidade imóvel, que até mesmo os teólogos não hesitaram em limitar a onipotência de Deus, negando-lhe o poder de modificar o passado. Deus pode tudo, menos desfazer o que já aconteceu. Quanto ao futuro, sabe-se que virá mas não se sabe o que será e em que irá inevitavelmente se transformar. E o presente não cessa de nos escapar, a cada instante; ele perpetuamente aniquila a si próprio. O tempo é relativo e indeterminado".

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"O arco do tempo e a visão indeterminista podem ser menos contraditórios do que parece. Heidegger diz que a posição entre Heráclito e Parmênides não é para valer, pois ambos os filósofos foram igualmente do ser. Ser e devir, o estático e o dinâmico, a identidade e a mutação, etc. São uma só presença. Se assim for, é possível que o tempo que se expressa num arco de interdependência total e o que se manifesta num indeterminismo também total, tanto no passado quanto futuro, sejam um só e o mesmo tempo".

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"Para Heidegger, o ser tem uma história; o tempo o oculta e o desvela. E, ao contrário dos entes, o ser não é uma entidade autônoma, independente das coisas e dos processos. É, portanto, o próprio processo; ser e tempo se confundem. Assim, é forçoso perguntar, como Heidegger, se, afinal de contas, não somos nós próprios o que chamamos de tempo".

terça-feira, março 14, 2006

Capote: Jornalismo e Ética



Capote, o filme, é denso. Baseado na biografia do escritor, não se trata de simples divertimento. É um filme para reflexões sobre jornalismo e a ética da profissão. Por isso, é oportuno e atual.

O autor da obra-prima "A Sangue Frio" almejava - a todo custo- o sucesso, o reconhecimento. Talvez mais que tudo isso: a imortalidade. Ele lutou de maneira alucinada, obcecada, para ser alçado ao panteão dos escritores do século XX.

Para atingir seus objetivos, como revela muito bem o filme, não interessava os meios. Ele passou por cima de convenções, de regras, dos princípios éticos da profissão. Envolveu-se emocionalmente com suas fontes. Mentiu, trapaceou, subornou. Tudo em nome da arte, da trama perfeita, moldada para o seu figurino.

Capote, sem dúvida, é uma personalidade complexa. Por isso, tentar analisar apenas o lado "canalha" do escritor é cair no reducionismo. Filho de mãe álcoolatra, ele adotou o sobrenome (Capote, de origem portuguesa) do padastro.

A obsessão pelo sucesso, pelo reconhecimento público, escondia a sua fragilidade emocional. Era um solitário, narcisista, convivendo com os fantasmas da infância abandonada. Este, possivelmente, um dos principais pontos de identificação com um dos asssassinos da família Clutter (Perry Smith), tão bem representado no filme.

O seu jeito afetado, a sua homossexualidade, tornavam-no uma figura ímpar. Os holofotes voltavam-se para ele nas rodas sociais que gostava de frequentar. Não era um escritor muito prolífico, mesmo assim escreveu dez livros, entre peças de teatro, romances e perfis jornalísticos.

Após o clássico "A Sangue Frio", que concluiu em 1965, revolucionou o jornalismo policial. Ele reivindicava para si a primazia de ter inaugurado um novo gênero literário: o romance de não-ficção. Se não o fez, com certeza escreveu uma das obras mais significativas desta escola, que também ficou conhecida como "novo jornalismo".

Capote, ao narrar um fato que poderia ficar restrito à crônica policial  - o massacre da família Clutter-, em fins de 1959, construiu densos perfis psicológicos. O livro revela, ainda, a face mais sombria do "sonho americano" no pós-guerra. De um lado, seres incompreendidos, revoltados, marginalizados; do outro, a família burguesa, religiosa, conservadora, cumpridora de sua missão social, realizada financeiramente. Como pano de fundo, um país fraturado.

Em "A Sangue Frio", Capote utiliza-se de sua memória prodigiosa - que ele próprio não se cansa de exaltar- para narrar fatos com uma impressionante riqueza de detalhes. Na sua prosa, nada passa, nada falta. A precisão técnica, matemática, cirúrgica, orienta o texto. Só em pesquisa, o livro consumiu um ano e contou com o auxílio da competente escritora Harper Lee.

Não é de espantar que a obra tenha consumido seis anos para ser escrita. Mas isso esgotou o autor. Levou-o à esterilidade literária. De 1965 até a sua morte, em 1984, portanto, quase duas décadas, ele não publicou mais nada. Teve um fim trágico: morreu debilitado pelo álcool e drogas.

Truman Capote, um dos principais ícones da literatura de não-ficcão, deu uma pista sobre o seu destino, ao dizer o seguinte: "Um dia, comecei a escrever, sem saber que me acorrentara por toda a vida a um senhor nobre porém implacável. Quando Deus lhe dá um dom, ele também dá um chicote; e o chicote se destina apenas à auto-flagelação... Estou aqui sozinho na escuridão da minha loucura, sozinho com meu baralho -e, é claro, o chicote que Deus me deu".

sábado, março 11, 2006

Censura à Moda Chinesa


Liberdade de imprensa é uma utopia? Na China, com certeza. O governo local acaba de censurar o blog do jornalista Wang Xiaofeng. Em 2005, o blog foi considerado o melhor escrito em mandarim. O reconhecimento foi do conceituado prêmio BOB (Best of Blogs) concedido pela "Deutsche Welle". O pecado de Wang: postar críticas à política chinesa.

Mas este, naturalmente, não foi um caso isolado de cerceamento à liberdade de opinião na China. Existem muitos outros. O famoso diário na Internet "Milk Pig", de uma jornalista da cidade de Cantão, sul do país, também foi vítima de censura.

Outro blog censurado: "Pro State in Flames". O responsável pelo blog é um repórter de Pequim. Ele denunciou, no final de 2005, a demissão de vários redatores-chefes do jornal "The Beijing News". O servidor diz expressamente: não é possível acessar o blog "por razões que não são técnicas".

A China é o segundo país do mundo em número de internautas - 110 milhões. Só perde para os EUA. O governo aumentou o controle aos meios de comunicação. A internet, nos últimos anos, tornou-se um dos principais alvos. Isto porque revelou-se um dos mais eficientes veículos para a difusão de idéias. Para os burocratas chineses, isso é muito perigoso.